Hospital Dom Vicente Scherer

Santa Casa realiza quatro transplantes de fígado em crianças em 25 dias

Publicado 05 de outubro de 2020
Santa Casa realiza quatro transplantes de fígado em crianças em 25 dias

O sonho da Ana Lavínia, de 9 anos, era ficar “branquinha” de novo. A pele e os olhos amarelados que a acompanharam durante anos foram resultado de uma atresia biliar, doença grave que acomete o fígado, incompatível com a vida. A história da pequena catarinense de Florianópolis se cruzou no último mês com a de Manoel, Lucas e Christian, todos portadores de sérios problemas hepáticos que levam à morte. O fato que une este quarteto é que, desde 28 de agosto, todos eles passaram por transplantes de fígado a partir de doadores vivos na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, sendo, o menor deles, submetido à cirurgia com apenas quatro meses.

A cirurgia da menina, a mais recente dessa “série”, ocorreu no dia 21 de setembro e foi possível graças à compatibilidade do fígado da sua mãe, Claudia. A atresia biliar pode levar à morte, e, conforme explica o diretor médico da Santa Casa e chefe da equipe de transplante hepático Antônio Kalil, a opção de realizar o transplante em crianças com doador vivo – na maioria das vezes o pai ou a mãe – é a única saída para salvar a vida destes pequenos pacientes “pois devido ao tamanho destes pacientes, torna-se muito difícil encontrar doador falecido compatível. Por isso, a única chance de cura para estas crianças era a realização de transplante com doador vivo”, explica o médico.

Dias após o procedimento de Ana Lavínia, que aconteceu no dia 21 de setembro e durou 13 horas, a gastroenterologista pediátrica e coordenadora da equipe de transplante hepático pediátrico da Santa Casa Melina Melere cumpriu a promessa que havia feito para a menina dias antes do transplante: “Prometi para ela que dois dias após o transplante eu levaria um espelho para ela se olhar e conferir o quanto estaria branca. Levei um pequeno espelho até o leito de UTI onde ela estava e a reação dela foi a mais linda e espontânea possível, ela dizia: ‘estou branquinha de novo, o sonho da minha vida, esse dia chegou´. Foi incrível e todos que estavam presentes foram às lágrimas”, relata a médica.

A atual equipe de transplante hepático da Santa Casa é composta por 13 pessoas, entre clínicas hepatologistas pediátricas, cirurgiões, ecografista, radiologista intervencionista e anestesistas. É referência brasileira no tratamento de doenças do fígado em crianças e adolescentes, com uma das maiores experiências do país nessa área, fato comprovado pela origem dos pacientes transplantados nestes últimos dias: Santa Catarina e Pará, além de cidades do Rio Grande do Sul.

Todos os quatro pacientes recuperam-se bem e os três meninos tiveram alta essa semana, enquanto Ana Lavínia deve permanecer internada até meados de outubro na Unidade de Internação do Hospital da Criança Santo Antônio – pois seu transplante é mais recente.

Imagem: Carol Fornasier/Marketing Santa Casa


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