Santa Casa lança nova campanha para incentivar doação de órgãos
Publicado 01 de September de 2025
O número de pacientes na lista de espera cresceu 23% em um ano no Brasil. Só no Rio Grande do Sul, são cerca de 3 mil pessoas à espera de um órgão.
Em um movimento permanente de conscientização sobre a importância da doação de órgãos, a Santa Casa de Porto Alegre lançou nesta segunda-feira (1º) a campanha “A vida cabe no seu sim”. O conceito da ação propõe uma reflexão a partir de duas dimensões: o sim, associado ao ato de conversar com a família e manifestar a vontade de ser doador; e a vida, que representa a esperança de uma nova oportunidade para quem aguarda por um transplante.
“A negativa familiar continua sendo um dos maiores entraves para que os pacientes tenham acesso ao transplante. Sem a redução desse índice, temos visto uma lista que não para de crescer. Cada recusa impede que órgãos saudáveis sejam utilizados, prolongando o tempo de espera e comprometendo as chances de sucesso de centenas de transplantes”, reforça o diretor médico do Centro de Transplantes da Santa Casa, José de Jesus Camargo.
“Hoje temos ainda mais certeza de que precisamos conversar sobre doação e deixar claro para nossos familiares a nossa vontade. Esse ‘sim’ pode mudar muitas histórias”. O relato é de Simone Martins Ribeiro, que, em maio, enfrentou a despedida do pai, um momento de dor marcado por uma decisão que se transformou em conforto. "Nós já tínhamos conversado em família sobre a vontade do nosso pai em ser doador. Quando recebemos a notícia da morte encefálica, a decisão foi natural. Saber que os rins dele salvaram outras pessoas trouxe alívio e orgulho. É como se uma parte dele continuasse viva, ajudando quem tanto precisava”, disse.
A família de Ricardo Mathias Storcker também transformou a despedida da mãe em um gesto de solidariedade, decisão que foi compartilhada entre pai e filho. “Ao sermos abordados pela equipe e pela forma cuidadosa como conduziram a conversa, não hesitamos em autorizar a doação. Saber que a vida da mãe representaria a oportunidade de recomeço para outras pessoas trouxe um novo sentido à sua partida”, relatou Ricardo.
Histórias como as de Simone e Ricardo reforçam, antes de tudo, a importância do diálogo familiar e, a partir dele, o impacto transformador que a doação pode gerar. “Doar órgãos é sublimar o sofrimento da própria perda, para que famílias desconhecidas sejam poupadas da mesma dor que lhes vara o coração. Difícil imaginar um gesto de amor maior do que esse”, reflete Camargo.
Lista de espera chega a 80 mil
Segundo monitoramento de 27 de agosto do Ministério da Saúde, 80.072 pessoas aguardam na lista de espera por transplantes no Brasil – 46.956 à espera de um órgão (rim, fígado, coração, pulmão e pâncreas) e 33.116 por córnea (tecido). Entre eles, mais de 1,3 mil crianças. O número cresceu 23% em 12 meses: em agosto de 2024 eram pelo menos 65 mil pacientes em lista.
Mesmo com um recorde histórico em 2024, com mais de 30,3 mil transplantes de órgãos e tecidos realizados em todo Brasil, a recusa familiar em doar órgãos continua sendo um grande desafio, e a lista de espera segue crescendo, evidenciando que muitas vidas ainda dependem de famílias dispostas a dizer “sim”. Em 2024, 46% das famílias brasileiras recusaram a doação de órgãos de seus entes falecidos, segundo o Registro Brasileiro de Transplantes (RTB) da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO).
O cenário também preocupa no Rio Grande do Sul, onde, segundo dados de agosto de 2025, houve um crescimento de 25% em um ano, alcançando 3 mil pacientes que aguardam por um transplante. Desse total, cerca de 60% estão na lista de espera por um órgão (rim, fígado, pulmão e coração) e o restante por um transplante de córnea.
“Para cada paciente que chega até nós, existe uma contagem de tempo que não pode ser ignorada. A recusa das famílias, somada à falta de estrutura em algumas instituições para viabilizar a captação de órgãos, agrava o cenário. É fundamental que a sociedade entenda a gravidade do problema e que gestores e profissionais de saúde fortaleçam toda a rede que torna a doação possível”, acrescentou Camargo.
Centro de Transplantes da Santa Casa
Integrando o complexo hospitalar da Santa Casa de Porto Alegre, o Hospital Dom Vicente Scherer é referência internacional em transplantes e concentra 60% dos transplantes de órgãos realizados no Rio Grande do Sul – abrangendo rim, fígado, pulmão e coração. Com papel fundamental na redução da lista de espera, o Centro de Transplantes conta com estrutura e equipes altamente qualificadas, reconhecidas pela expertise em todos os tipos de transplantes, incluindo órgãos sólidos, tecidos e medula óssea.
Texto: Vinicios Sparremberger / Santa Casa de Porto Alegre
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