Joana: aos cinco anos, ajudou a equipe do Becker a salvar uma vida
Publicado 30 de March de 2026
Há pouco mais de trinta dias, Bruno Delly partia de moto ao sair de Canoas, onde reside, para ir trabalhar em Gravataí. Seria mais um dia rotineiro na vida de um trabalhador, mas ele mal sabia que o que estava por vir, minutos depois, impactaria profundamente a sua vida e de seus familiares.
Bruno sofreu um grave acidente, após o pneu traseiro estourar, fazendo-o colidir contra o guard rail da Freeway. Em condição crítica, devido a diversas fraturas e grande perda de sangue, chegou ao Hospital Dom João Becker exigindo o máximo de agilidade e conhecimento da equipe assistencial. “Estamos diante de um paciente que chegou em estado bastante grave, vítima de um politrauma importante, com instabilidade hemodinâmica e necessidade imediata de intervenções intensivas. Sem dúvida, houve risco de vida no momento da admissão, especialmente pelo quadro de choque hemorrágico”, destaca a supervisora de enfermagem, Nicole Hertzog. A equipe do Becker precisou agir rápido, pois a hemorragia fez a pressão arterial de Bruno cair para níveis muito baixos. Com a reposição sanguínea, medicação e as primeiras intervenções cirúrgicas, o quadro do paciente começou a se estabilizar.
Os primeiros dias na UTI foram de apreensão para a família, pois os riscos ainda persistiam. No entanto, à medida que o tempo avançava, a esperança era reforçada. “Foi muito triste e difícil, pois ele chegou ao hospital correndo um risco muito grande, mas com o passar do tempo e a melhora as coisas foram se ajeitando. Graças a Deus ele está se recuperando bem, cada dia melhor e isso traz um alívio ao nosso coração”, comenta a esposa, Juliane. Bruno deixou a UTI e hoje está na Unidade de Internação do Becker. O paciente deve ainda passar por outros procedimentos para a correção das fraturas, antes de, finalmente, receber alta hospitalar.
PSICOLÓGICO CONTA NA RECUPERAÇÃO
Mas a recuperação não ocorre apenas com a estabilização de órgãos, do sistema circulatório e dos ossos. O psicológico conta muito! E nesse sentido, Bruno precisava preencher um vazio que o angustiava. Mesmo com a humanização da equipe do Becker e o carinho da esposa, o paciente sentia muita falta de alguém que o inspira: a Joana! Todos os dias se emocionava ao lembrar da filha de cinco anos. A saudade era grande.
Foi aí que a enfermeira Pâmela Duarte, da unidade de internação, teve uma ideia. Organizar a vinda de Joana para uma visita surpresa ao pai. Pelo protocolo hospitalar, a presença de menores de doze anos é restrita e precisa atender pré-requisitos específicos. “A humanização do cuidado faz parte da nossa prática e ações como essa reforçam que o tratamento vai além das intervenções técnicas. Ele também envolve acolhimento, vínculo e suporte emocional. Por isso avançamos com essa ideia de trazer a Joana para rever o pai”, comenta a supervisora Nicole. Com o sinal verde, o reencontro era questão de tempo.
Acompanhado da equipe de enfermagem, sob o pretexto de sair do quarto para uma atividade de reabilitação, ao dobrar o corredor da ala hospitalar, Bruno se deparou com a filha. “Foi um mix de sentimentos! O coração acelerou, a emoção tomou conta, parecia que não a via há anos! Graças aos planos da enfermeira Pâmela e da minha esposa, me deram esse presente maravilhoso que foi poder matar a saudade! Nunca vou esquecer, marcou minha vida”, se emociona. Bruno ressalta que Joana, mesmo à distância, teve papel fundamental em sua melhora, pois ao pensar na filha, se sentia mais forte para se manter consciente e enfrentar a situação.
AMOR TAMBÉM É REMÉDIO
Bruno salienta que os últimos dias no Becker têm sido bons, apesar do quadro grave que enfrentou. “Agradeço às equipes da Emergência, da UTI, e da Unidade de Internação, onde fiz diversas amizades com enfermeiros, técnicos, médicos. E também com funcionários da nutrição e da limpeza. Foram vários dias de risadas, brincadeiras, alívio com os resultados. É uma experiência que jamais esquecerei”, agradece.
Agora, é contar os dias para o retorno ao lar. Qual vai ser a primeira atividade a fazer? “Bom, para ser sincero, nem sei! Talvez, deitar com a minha filha e ficar abraçado com ela. Assistir a um filme, um almoço em família, dedicar um tempo à minha esposa que teve muita fibra nesse momento difícil”, reconhece. Com apenas cinco anos de idade, Joana nem imagina o quanto ajudou a equipe do Becker na recuperação do pai. Afinal, amor também é remédio!
Texto e imagens: Nelson Machado Dutra Filho/Santa Casa de Porto Alegre
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